Menos mãe - uma história sobre parto

Hoje eu assisti a um programa e a apresentadora comentava com a entrevistada se o tipo de parto faria dela menos mãe. Como assim? Já vou explicar ela usava umas  palavras assim : - Se meu filho não nascer de parto normal e eu tiver que fazer uma cesárea, será que eu serei menos mãe por isso? Isso me tocou fundo...

Quando eu decidi que eu teria a Eloísa de parto normal tudo o que eu ouvia era: Deus me livre, onde já se viu uma coisa dessas, isso é coisa do passado, sentir dor é um absurdo, eu já marquei minha cesárea... o Caetano nasceu de cesárea, ah então a Eloísa também vai.

Logo nas primeiras consultas a médica já havia me dito que caso eu optasse pelo parto normal (sim, podemos escolher esse ou aquele) ela não poderia fazer o parto, esse seria feito pelo médico que estivesse no plantão do hospital. Eu pensei, tudo bem e segui com minha missão. O medo de que o bebê nascesse prematuro e isso acarretasse alguma complicação para ele era muito maior que o medo de qualquer dor. A cesárea seria a última opção. A Eloísa escolheria o dia que queria nascer. E assim foi.
Cidade pequena, hospital com costumes próprios, logo no finalzinho da gestação descobri que o meu marido não poderia me acompanhar no pré parto, ou seja durante as contrações ou eu ficava sozinha ou uma pessoa do sexo feminino poderia me acompanhar. Mas eu não queria qualquer pessoa participando comigo daquele momento, fiquei triste, mas escolha é escolha, vamos seguir em frente.
 
Lá pelas 37 semanas minha médica me encaminhou ao anestesista... como assim... o parto não é normal, que anestesia é essa. O médico explicou que era uma analgesia, que aliviaria a dor mas não atrapalharia que eu fizesse força na hora das contrações (mas isso não é garantido, não existe uma medida, as contrações, dores, variam de pessoa para pessoa e um pouquinho a mais dessa "analgesia" e a mulher não consegue fazer a força necessária para o trabalho de parto). Na mesma semana ouvi o relato de uma mãe cujo o bebê teve que ser tirado com fórceps devido a bendita anestesia... momento de pânico total... como assim, nove meses tomando todas as precauções para que minha filha nascesse na hora certa, saudável e do jeito mais natural possível e ela corria o risco de sofrer diversas intervenções durante o parto. Voltei a médica e disse que não queria anestesia... ali eu já sabia que as coisas não seriam do meu jeito, mas seguiriam a cartilha do plano de saúde e os costumes locais.

Com 39 semanas, numa quinta-feira, fui a minha consulta, fiz um ultrassom e a bebê não tinha encaixado. Como eu poderia esperar mais 2 semanas pelo parto que era o prazo que a médica me deu (os médicos costumam aguardar 41 semanas no máximo, dificilmente algum vai esperar mais de 42) fui pra casa tranquila esperar mais um pouquinho.


No sábado eu comecei a sentir um pequeno mal estar e um cansaço, uma dorzinha aqui outra ali e no domingo não senti nada o dia inteiro, apenas o peso daquele barrigão todo! No domingo à noite assisti ao documentário, O Renascimento do Parto (super recomendo!), e quando eu vi como a indústria do parto funcionava eu percebi que dificilmente eu escaparia dela. Naquela noite, algumas horas depois de ter assistido ao filme, minha bolsa rompeu, esperei até a manhã do dia seguinte para procurar o hospital. Sem nenhuma dor, com a bolsa rompida e o bebê sem estar encaixado, obviamente o médico me encaminhou ao centro cirúrgico e pouco tempo depois a Eloísa, com seus 3 quilos e 450 gramas, já estava no quarto nos braços do pai dela enquanto eu me recuperava da cirurgia. Rápido, simples e eu anestesiada e com um corte gigantesco na minha barriga.


Como eu tinha pedido muito a Deus que eu queria o que fosse melhor para o bebê e que eu queria cuidar dela, eu fiquei feliz em saber que ela nasceu no tempo certo, já que como a bolsa já estava rompida inevitavelmente ela nasceria aquele dia ou no máximo no dia seguinte, por qualquer via que fosse. A minha recuperação foi boa. E eu cuido dela desde o dia que ela nasceu, claro que minha sogra e meu marido me deram a maior força para cuidar da casa e do Caetano, mas a bebê foi comigo mesmo, me esforcei o máximo para não desgrudar dela nenhum segundo. E poucos dias depois já estava de volta com todas as minhas atividades normais (Ainda mais porque era férias e eu teria que me desdobrar para dar conta da casa, do bebê e do Caetano! rsrsrs nem tive tempo pra sofrer! rsrsrs).

(O primeiro banho em casa com o bebê em pânico porque eu não tinha 
a menor noção do que eu estava fazendo...)
 
Porque contar essa ladainha toda... eu percebi que eu tenho muita vergonha de contar que fiz duas cesáreas, eu fico tentando me explicar, justificar o que aconteceu, encontrar palavras para dizer que o que sofri não foi natural e dizer que nenhuma das duas foi escolha minha, que eu não aconselho esse tipo de parto a ninguém e acabo me sentindo muito mal. A expressão das pessoas é sempre a mesma "de que  escolhemos sempre o caminho mais fácil". Só Deus sabe o quanto eu quis diferente.
Talvez se eu tivesse buscado outras alternativas, outros médicos corrido com o filho pra  outra cidade afastando ele das aulas e deixando o marido aqui para correr pra lá quando o bebê nascesse, sim, porque ele precisava trabalhar e isso era muito mais complicado do que parece.

E se... e se... mas se...

Não teve jeito mesmo...

Quando alguém disser a você que fez uma cesárea, diferente daqueles partos lindos e emocionantes que vemos milhares de vezes e nos emocionamos, não seja indiferente logo de cara... é bem doloroso. De certa forma uma pessoa enfrentar uma cirurgia de grande porte, uma recuperação muitas vezes dolorosa, é complicado também. Não sente a dor do parto, porém enfrenta toda a dor do pós parto, muitas vezes sem conseguir nem pegar o bebê no colo com complicações que nem conseguimos imaginar.

Pronto, desabafei, contei... e vou continuar carregando esse fardo...

Vou levar comigo algumas cópias impressas do post para entregar para as pessoas que perguntarem sobre meu parto! rsrsrs

Triste mas...ufa... bora lá cuidar das minhas crias...

Beijos!

Comentários

  1. O importante é a mãe maravilhosa que você é Jeise. Um exemplo de mãe!Beijos

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    1. É isso que nos faz seguir em frente nessa missão que Deus nos confiou, acreditar que não importa como chegam aos nossos braços, mas os filhos são sempre nosso maior presente!

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  2. O importante é a mãe maravilhosa que você é Jeise. Um exemplo de mãe!Beijos

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    1. É isso que nos faz seguir em frente nessa missão que Deus nos confiou, acreditar que não importa como chegam aos nossos braços, mas os filhos são sempre nosso maior presente!

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  3. Adorei o texto!
    É lindo seu zelo com os filhotes! rs
    E a Eloísa chegou no dia em que Deus havia escolhido pra ela ♡

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    1. Ai Camila, você sempre delicada e linda com suas palavras! Obrigada pelo carinho!!! Eu tenho certeza de que Deus queria que esse fosse o dia dela! Um super beijo!

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  4. Oi Jeise tudo bem? é a Carine prima da Aline, lembra? hehe faz muito tempo... Passei pelo seu blog por acaso (acho que vi na minha linha do tempo no facebook) li esse post, e não podia deixar sem fazer um comentário, pois compartilho um pouco da sua experiência.
    Não sei se vc sabe mas também acabei de ter um filho aqui na França, ele está com quatro meses agora. Tive um parto normal, tudo correu bem na medida do possível, Jun cresce saudável, mas assim como vc também as coisas não foram do jeito que desejava.
    Eu passei toda a gravidez desejando ter um parto normal sem peridural, e obviamente com o descrédito de muitas pessoas. Passei também muito tempo pesquisando sobre isso, e percebi que a percepção "medicalizada" que temos do parto nos distancia de nossos corpos e nos impede de ver que somos capazes de gerir esse processo sem intervenções externas.
    Enfim, tive a ruptura da bolsa, uma fissura na verdade que gotejava o liquido aos pouquinhos. Fui para o hospital à pé (morava a 5 min. de lá) com meu namorado, e assim que estava instalada comecei a ter contrações. Que eram progressivamente mais potentes, mas ainda assim controláveis. Logo fui informada de que teriam que induzir minhas contrações, para não passar muito tempo em trabalho e evitar risco de infecção para o bebê. E assim acabei tendo que tomar a peridural, por que as contrações induzidas são bem mais potentes e difíceis de gerir. Mas como vc bem salientou, tive dificuldades na hora de empurrar por causa da peridural (não estava completamente amortecida mas não tinha mais a mesma percepção de meus músculos) e para que o bebê saísse, eles fizeram uma episiotomia (um corte na lateral) e o puxaram com uma ventosa (que tem a mesma função que o fórceps). Uff…
    Com uma certa distância, senti que o parto na verdade não era meu, era da médica, todas essas medidas são feitas pensando no conforto do médico de forma que ele possa ter o todo o controle. O discurso médico muitas vezes é impositivo, não nos deixa escolhas, afinal não queremos colocar o bebê em risco. No final das contas isso se constitui numa forma de violência.
    No meu caso foi o risco de infecção, no seu a cabeça mal encaixada, mas ambos não são necessariamente razões para uma intervenção médica. Tudo depende do acompanhamento de todo o processo.
    Uma outra médica mais tarde me disse que diante das circunstâncias nós fizemos o melhor que podíamos, apesar do meu descontentamento. Acho que isso se aplica a vc também. Você certamente fez tudo o que estava ao seu alcance para que tudo corresse da melhor maneira possível.
    Enfim, achei simpático vc compartilhar a sua história e dizer o que pensa sobre isso, e queria só compartilhar um pouco da minha tb, e dizer que isso é um bom sinal, é importante nos mantermos firmes em relação à autonomia de nossos corpos e quem sabe assim um dia teremos um tratamento médico mais humano.

    beijos!

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